11.º episódio do Observatório de Cinema: 10 a 17 de outubro na Casa das Artes de Famalicão

Desde a primeira edição, em Outubro de 2016, que o Close-up contamina o seu programa através de um mote orientador de filmes e secções, que nos episódios anteriores percorreram memórias, tempo e lugares, do passado e do futuro, do íntimo e do público. Neste episódio juntaremos Pais e Filhos, um diálogo acelerado por conflitos entre gerações, situados no presente, mas com paragens pontuais nas décadas anteriores.

Nas sessões de abertura e fecho e na passagem pelo Teatro Narciso Ferreira, o Close-up destaca as propostas de cruzamento entre as imagens em movimento e a música, em três cine-concertos em estreia: a Berlim do final dos anos 1920, em Gente ao Domingo, por JP Simões; uma viagem musical proporcionada pelos Club Makumba em diálogo com Zombie, uma das obras-primas de Jacques Tourneur; e Samuel Úria seduzido por Yasujiro Ozu, pelas histórias de pais e filhos, em História de um Proprietário Rural, no Japão do pós segunda guerra mundial.

As Paisagens Temáticas são, então, preenchidas pelas tensões geracionais: Vincent Lindon, um pai exemplar que receia perder o filho para as tribos extremistas, em Brincar com o Fogo; uma adolescente que descobre a fé e desarranja o círculo familiar, em Os Domingos; numa sessão que também serve de homenagem ao cineasta João Canijo, a versão do realizador de Noite Escura, em que uma filha deve pagar o erro trágico do pai; o mais recente filme de Christian Petzold, Miroirs nº. 3, que encena o vislumbre de uma nova família para uma jovem mulher; o regresso aos traumas de infância de um músico quando alcança a notoriedade, em Springsteen: Deliver Me from Nowhere; uma das obras máximas de Stanley Kubrick, Laranja Mecânica, crime e castigo, na disputa entre um grupo de delinquentes e o poder governamental; e As Virgens Suicidas, a estreia de Sofia Coppola, um bando de cinco irmãs, reprimidas pelos pais e encerradas numa casa.

A Comédia à Italiana, constitui-se como uma das páginas notáveis das Histórias do Cinema, na capacidade de integrar e dialogar com todas as problemáticas de um tempo, nas décadas de 1960 e 1970, pelo que faremos o elogio de alguns dos seus principais autores: Vittorio De Sica, Antonio Pietrangeli, Dino Risi, Marco Ferreri e Pietro Germi. Aproveitando a estreia de Ku Handza, de André Guiomar, a Fantasia Lusitana ficará entregue à produtora Olhar de Ulisses e a uma porção do seu portfólio de realizadores emergentes.

Assente no trabalho das dez edições anteriores, o Close-up prossegue a sua relação primordial com a comunidade escolar, e a formação dos espectadores do futuro, em sessões divididas pelos auditórios do Teatro Municipal e por presenças nas escolas. Em diálogo com o restante programa, haverá ficção, animação, documentário e masterclasses, com propostas para todos os escalões de ensino, do primeiro ciclo ao ensino superior de cinema.

Duas sessões especiais, com a exibição de Nova’ 78 e Não Desviar o Olhar, propiciarão mesas em volta, respectivamente, de William S. Burroughs e a Crítica de Cinema. Mas, o Café Kiarostami também propõe um Kino-Quiz, na noite de abertura e jazz na noite de encerramento, com Zé Stark Cinema Ensemble. Animação e oficinas são as propostas para as Famílias: o regresso a Toy Story, na quinta aventura da saga inaugural da Pixar, a conquista de Hollywood pelas criaturas da Illumination, em Mínimos e Monstros e uma oficina de Stop Motion, que viajará com os participantes até aos primórdios do cinema de animação.

Uma Cidade-Cinema, em oito dias, a contemplar mais de trinta sessões, com outros tantos convidados (realizadores, músicos, programadores, críticos e investigadores). Um panorama vasto, mas que dissipa a intensidade, concede tempo ao diálogo entre filmes, assente em diversas leituras e abordagens que decorrem da seleção de filmes e do encontro com o público, amplificado pela singularidade das apresentações das sessões, numa festa do cinema que volta a ambicionar um diálogo com toda a comunidade, com todos os públicos.

Anterior | Próximo